Por Tais Carniatto
Quando a Seiko anunciou o retorno do King Seiko VANAC, não foi apenas mais um resgate de arquivo. Para mim, foi um daqueles movimentos raros em que a marca entende exatamente o que deve ser preservado e até onde pode evoluir. O VANAC sempre foi um King Seiko fora da curva — mais ousado, mais brilhante, mais setentista — e talvez por isso mesmo tenha ficado tanto tempo adormecido.
Em nosso blog, já escrevi sobre esse renascimento, sobre o brilho quase provocativo dos anos 1970 que voltou em novas cores e com uma leitura claramente contemporânea. Mas o interessante é perceber que a Seiko não tratou esse retorno como um evento isolado. Pelo contrário: o VANAC voltou para ficar — e para crescer.

Agora, com os novos King Seiko VANAC SLA093 e SLA095, a coleção dá mais um passo adiante. Não se trata de reinventar o modelo, mas de lapidar sua identidade, explorando novas combinações, novas texturas e uma presença diferente no pulso. São adições que, na minha visão, ampliam o alcance do VANAC sem diluir aquilo que sempre o tornou especial.
E é justamente sobre essa evolução — do passado ousado à releitura moderna, até chegar a essas novas interpretações — que vamos falar a partir de agora.
King Seiko VANAC: ousadia em plena era de ouro da relojoaria japonesa
Dentro do universo King Seiko, o VANAC sempre ocupou um lugar particular. Enquanto muitos modelos da linha buscavam elegância clássica, proporções mais contidas e um visual quase cerimonial, o VANAC surgiu no início dos anos 1970 como uma ruptura clara com esse padrão. Era o reflexo de uma época em que a relojoaria japonesa vivia seu auge criativo — técnica consolidada, confiança estética e liberdade para ousar.

O nome VANAC, por si só, já carregava essa proposta de modernidade e vanguarda. Caixas mais angulosas, superfícies amplamente polidas, mostradores com efeitos de brilho intenso e cores nada discretas tornaram o modelo imediatamente reconhecível. Para mim, o VANAC nunca foi um King Seiko “para todos” — e isso sempre foi parte do seu charme. Ele era feito para quem queria algo além da sobriedade tradicional.
Décadas depois, quando a Seiko decidiu trazer o VANAC de volta, ficou claro que o objetivo não era suavizar essa identidade. Pelo contrário. A releitura moderna preservou o espírito setentista, reinterpretando volumes, acabamentos e cores com a precisão industrial e o refinamento que hoje associamos ao King Seiko contemporâneo.
Os SLA093 e SLA095 entram exatamente nesse contexto. Eles não inauguram uma nova fase, mas reforçam a ideia de que o VANAC voltou como uma coleção viva, em expansão. São modelos que dialogam com o passado, respeitam a releitura recente e, ao mesmo tempo, mostram que ainda há espaço para explorar novas leituras dentro desse design tão marcante.

Depois de reviver o espírito setentista com as primeiras leituras modernas do King Seiko VANAC, a Seiko segue refinando essa história com as duas novas interpretações. Acho interessante observar como a marca preserva o DNA forte e quase escultural do VANAC — visual angular, presença marcante no pulso e um design que não se preocupa em passar despercebido — mesmo adotando uma proposta mais elegante com pulseira de couro pela primeira vez na linha.
Ambos os modelos compartilham a mesma base técnica e dimensões, caminhando lado a lado em personalidade e função, mas se diferenciam principalmente pela paleta de cores dos mostradores (uma escolha estética que, aliás, faz toda a diferença no visual final).


Os dois modelos vêm equipados com o calibre automático 8L45 da Seiko, um movimento de respeito com corda manual, precisão de +10 a –5 segundos por dia e uma reserva de marcha de aproximadamente 72 horas (3 dias) — um ótimo equilíbrio entre tradição mecânica e performance moderna. Cá entre nós, uma versão menos “elaboradamente” decorada do 9S55 da Grand Seiko.
- Frequência: 28.800 vibrações/hora (8 batidas por segundo)
- Funções: Horas, minutos, segundos, data e parada do ponteiro segundos para ajuste preciso.

Medindo 41,0 mm de diâmetro, 14,3 mm de espessura e um lug to lug de 45,1 mm, a caixa em aço inoxidável mantém a proporção robusta e presença marcante do VANAC — sem perder a elegância do acabamento impecável. O visual é completado pelo cristal de safira em formato “box”, com revestimento antirreflexo na face interna, que complementa o design sem borda tradicional da linha.
Uma das coisas que mais me encantam no modelo são os indexadores e a escala de minutos, posicionados entre os dois aros dourados que possuem um detalhe chanfrado para fora nos marcadores de hora – isso torna harmônico a janela de data, que sutilmente se encaixa bem ao design. Outro ponto que merece contemplação aqui é o marcador de 12 horas que traz um aceno à letra V de VANAC – sim, Deus está nos detalhes rs.


Coroa rosqueada, estanqueidade de 100m e uma resistência magnética de 4.800 A/m (que aliás acho muito legal), complementam a caixa, que é um show à parte, confrades, com todas as suas “angulaturas”.
Um detalhe que eu já mencionei e que para mim ficou um vislumbre é que pela primeira vez na linha moderna do VANAC, a Seiko optou por pulseira de couro, combinando conforto e um visual mais clássico (mesmo sem cara de dress), especialmente em propostas que fogem das tradicionais braceletes metálicas. Elas apresentam um design específico sem costura que estende visualmente as linhas da caixa, criando uma aparência integrada que eu achei muito legal. Ambas usam um fecho triplo com botão de liberação que traz segurança e praticidade ao uso diário e bem sabemos, a Seiko tem um cuidado especial ao fecho e construção dos materiais como um todo.



Agora vamos ao que torna cada modelo único, suas cores.
Os novos VANAC são uma inspiração declarada das paisagens de Tóquio — algo que dá ainda mais sentido às escolhas da paleta. O SLA093 traz um mostrador marrom escuro profundo, enriquecido por detalhes dourados, evocando a atmosfera acolhedora e sofisticada de estúdios executivos clássicos, quase como um refúgio silencioso em meio à cidade. É uma leitura mais quente, elegante e extremamente coerente com a proposta do couro.


Já o SLA095 (SDKV015) segue um caminho diferente, mas igualmente interessante. Seu mostrador em gradiente “Urban Green” faz referência direta à vegetação exuberante dos jardins Meiji, criando um contraste visual entre o verde intenso da natureza e o cenário urbano que o cerca. Essa escolha traduz muito bem a dualidade de Tóquio: uma metrópole vibrante que ainda preserva bolsões de tranquilidade e contemplação.
SLA093




Evocando uma vibração mais clássica e artística dentro do universo VANAC — um visual que, ao meu ver, transita bem entre o dia a dia e ocasiões sociais sem perder personalidade. Detalhe para o ponteiro de segundos que traz o V em sua extremidade de base, remetendo ao nome VANAC – característica dos modelos da linha.
SLA095 — Verde profundo inspirado




Já o SLA095 aposta em uma leitura que entrega um visual moderno e bastante versátil. Repare como o dourado fica harmônico e fino nas duas variações de cores.
Considerações finais: VANAC como coleção viva
O que mais me chama atenção nos King Seiko VANAC SLA093 e SLA095 não é apenas a mudança de pulseira ou a escolha das cores — mas a mensagem que esses lançamentos carregam. Fica cada vez mais claro que o VANAC deixou de ser apenas um “retorno pontual” e passou a ocupar o papel de coleção viva dentro do universo King Seiko.
A adoção do couro suaviza o impacto visual sem descaracterizar o relógio. O VANAC continua angular, brilhante e marcante, mas agora conversa com outros estilos, outros perfis de uso e até outros públicos. É quase como se a Seiko estivesse dizendo: há mais de um jeito de usar um VANAC — e todos são legítimos.

A única coisa que me entristece, e digo isso enquanto mulher entusiasta, é que esse modelo é grande para mim. Quem sabe, no futuro, a Seiko nos presenteie com um modelo menor, mais fino e que permita esse uso pelo público feminino, que reverencia bons relógios que carregam legado.
Tecnicamente, não há concessões. O calibre 8L45 mantém o padrão elevado que se espera de um King Seiko moderno, enquanto a construção da caixa e os acabamentos reforçam aquela sensação que todo entusiasta reconhece no primeiro contato: o relógio tem presença, peso e identidade. No pulso, ele não pede permissão — ele se impõe.
No fim das contas, os SLA093 e SLA095 não substituem nada do que já vimos. Eles somam. Ampliam. Enriquecem. E mostram que o VANAC, aquele mesmo dos anos 70, continua encontrando novas formas de existir sem perder a alma que o tornou especial décadas atrás.

Os modelos reeditados em 2025 estão disponíveis na Relojoaria Impala, claro, e as novas adições chegam em breve. Acione a equipe nos canais de atendimento e WhatsApp para garantir sua peça:

Foi um prazer contar mais um capítulo dessa história da King Seiko, confrades – marca que tem um apreço especial no meu coração e, certamente, no seu.
Até a próxima jornada! Um abraço e fique bem.

