Por Tais Carniatto
Nem todo clássico precisa mudar para evoluir — às vezes, basta ajustar um novo (e adicional) rumo. E, na minha opinião, é exatamente isso que a Citizen faz com o novo Tsuyosa Shore.
Confrades, quem acompanha a linha Tsuyosa sabe bem: estamos falando de um dos maiores acertos recentes da marca. Um relógio que conquistou espaço com sua proposta urbana, versátil e extremamente bem resolvida dentro da categoria mecânica acessível. Mas agora, a Citizen decide levar esse sucesso um passo além — e, dessa vez, em direção ao mar.
O Tsuyosa Shore surge como uma releitura que, sem abandonar a essência que consagrou a linha, incorpora elementos de uma estética mais esportiva e marítima. E eu confesso: esse tipo de movimento me chama atenção porque não é uma ruptura, mas uma evolução pensada.

Falar de Citizen é, inevitavelmente, falar de uma das bases mais sólidas da relojoaria japonesa. Fundada em 1918, a marca sempre teve uma proposta muito clara: democratizar o acesso a relógios de qualidade, sem abrir mão de inovação técnica. E, ao longo das décadas, isso se traduziu em movimentos próprios, soluções como o Eco-Drive e uma consistência que, na minha opinião, poucas marcas conseguem sustentar por tanto tempo.
Mas o interessante é como a Citizen vem se reposicionando nos últimos anos no universo mecânico. E é justamente aí que entra a linha Tsuyosa: O Tsuyosa original surge quase como uma resposta direta a uma demanda crescente por relógios automáticos com design integrado, mostrador marcante e uma pegada mais contemporânea. E deu certo. Deu muito certo. Rapidamente virou um best-seller, especialmente entre quem buscava um relógio versátil, com personalidade, mas ainda acessível. E eu acho que o grande mérito da linha sempre foi esse equilíbrio: ela não tenta ser mais do que é, mas entrega mais do que se espera.
E por falar em bracelete integrado, vimos o recente lançamento da Orient que mexeu com o mercado, este foi tema do blog Impala, escrito pelo confrade Henrique Bollini, com review sincero e uma breve explanação dos primeiros modelos de bracelete integrado ao longo da história – vale muito a leitura! Clique e acesse posteriormente:

Agora, com o Tsuyosa Shore, a Citizen não reinventa a roda, e, sinceramente, nem precisava. O que ela faz é expandir o território do modelo, levando esse DNA urbano para um contexto mais esportivo, com referências claras ao universo marítimo. Mas antes de falar dele, acho importante olhar rapidamente para o que tornou o Tsuyosa um fenômeno entre os entusiastas.
Quando a Citizen lançou os primeiros modelos da linha, o impacto foi quase imediato. A combinação de caixa integrada, mostradores vibrantes e o movimento automático confiável criou um pacote difícil de ignorar — principalmente dentro da sua faixa de preço. Para muitos confrades, inclusive, foi o primeiro “automático sério”.
E aqui vai uma opinião bem pessoal: o Tsuyosa acertou onde muita marca erra — identidade. Você bate o olho e sabe o que é. Isso não é tão comum quanto parece.

Modelos com mostradores em cores mais ousadas, como laranja, verde e amarelo, ajudaram a construir essa personalidade forte. Ao mesmo tempo, a arquitetura da caixa e a pulseira integrada deram aquele ar contemporâneo que muita gente associa a relógios de categorias bem mais altas.
Outro ponto que, para mim, sempre fez diferença é a versatilidade. O Tsuyosa original transita muito bem entre o casual e o urbano mais arrumado. Não é um relógio esportivo no sentido clássico — e justamente por isso ele funciona em tantas situações.
E é exatamente nesse ponto que o Shore começa a se diferenciar.
Na minha visão, é quase como se a Citizen tivesse perguntado: “e se o Tsuyosa saísse da cidade e fosse até o mar?” E a resposta é justamente o que vamos ver agora.
Enquanto os modelos anteriores estavam muito mais ancorados nesse lifestyle urbano, o Tsuyosa Shore dá um passo além e abraça uma proposta mais esportiva, com referências claras ao universo do mergulho e da costa. Não chega a ser um diver puro, e acho importante deixar isso claro, mas incorpora elementos que mudam bastante a leitura do relógio no pulso.

O Tsuyosa Shore parte de uma base já muito conhecida. A caixa mantém o formato integrado característico da linha, com 40 mm de diâmetro, espessura de 12.0 mm e um Lug to Lug de 45.0 mm, o que continua sendo um tamanho extremamente versátil no pulso. Nem pequeno, nem exagerado, aquele “ponto de equilíbrio” que agrada a maioria dos confrades. O acabamento segue bem executado, alternando superfícies escovadas e polidas, o que ajuda a dar mais profundidade visual sem precisar de exageros. Tudo isso, protegido pelo cristal de safira.


Mas é no conjunto frontal que o Shore começa a mostrar a que veio.
O grande diferencial aqui é a presença do bezel em alumínio rotativo unidirecional: um elemento que imediatamente puxa o relógio para um território mais esportivo. E eu confesso: isso muda bastante a leitura do modelo.
O mostrador acompanha essa proposta. No NJ0230-59L, o azul remete diretamente ao mar aberto, enquanto o NJ0232-53X traz um verde que, para mim, conversa mais com águas costeiras, rasas, quase translúcidas. São cores bem escolhidas — não parecem forçadas, e isso faz diferença no uso do dia a dia. Enquanto o azul traz o acabamento em aço, o verde, acende o IP Gold que, cá entre nós, ficou demais!

Outro ponto importante é a resistência à água de 100 metros. Aqui vale um comentário honesto: é suficiente para uso cotidiano, piscina e até um contato mais direto com água, mas não coloca o modelo no mesmo patamar de um diver dedicado. E tudo bem — porque claramente não é essa a proposta.
Por dentro, seguimos com o movimento automático Myiota 8210, confiável e já conhecido dentro da linha. É aquele tipo de calibre que não chama atenção por números exuberantes, mas entrega consistência, e, no fim das contas, é isso que a maioria das pessoas realmente precisa. Aliás, o movimento pode ser visto pelo caseback, rosqueado e transparente.

A pulseira integrada em aço mantém a identidade do Tsuyosa, garantindo conforto e continuidade visual com a caixa. E esse, para mim, ainda é um dos grandes trunfos do modelo: ele continua sendo muito fácil de usar.


No geral, o Tsuyosa Shore não tenta reinventar a linha, ele reposiciona. Traz uma nova atmosfera, mais esportiva, mais descontraída, sem perder a essência que fez o Tsuyosa dar tão certo. A Citizen entende o sucesso que tem nas mãos e, em vez de forçar uma reinvenção desnecessária, opta por evoluir com inteligência.
Ele não substitui o Tsuyosa tradicional — e nem deveria. São propostas diferentes. E eu gosto disso.
Claro, não é um diver raiz. Para alguns confrades mais puristas, isso pode até soar como um “nem lá, nem cá”. Mas, sendo bem honesta, acho que essa é justamente a proposta: um relógio com estética marítima, mas pensado para o dia a dia.

No fim, o Tsuyosa Shore reforça algo que a linha já vinha construindo muito bem: personalidade. E faz isso sem exageros, sem perder coerência, o que, convenhamos, é cada vez mais raro.
Agora fica a pergunta, confrades: vocês preferem o Tsuyosa na sua forma mais clássica… ou essa nova versão com os pés na areia?

Independente de sua escolham os 2 modelos já estão disponíveis na Impala, claro. Acione a equipe de atendimento e garanta seu exemplar.

Foi um imenso prazer conduzir mais esse conteúdo por aqui, confrades.
Até a próxima aventura!

