Orient Star Contemporary M34 F8Date – O topo de linha

Por Adriano Passarelli

E finalmente chegamos ao topo: a coleção Contemporary M34 F8 Date é inspirada no aglomerado estelar Messier 34, localizado na constelação de Perseu, a cerca de 1.400 anos-luz da Terra. A estética refinada da coleção traz mostradores com texturas e efeitos incríveis, capazes de reproduzir tonalidades de cores e profundidades completamente diferentes conforme a incidência de luz. Nenhum mostrador é igual ao outro. 

Messier 34

Na versão de edição limitada a 160 peças para o mundo todo, nanopartículas metálicas simulam o visual da chuva de meteoros Perseidas atravessando o céu noturno, um efeito nunca visto em outro relógio e que a cada momento traz uma percepção nova.

Apesar do desenho muito semelhante ao dos modelos Semi Skeleton, as caixas e braceletes dos Contemporary M34 conseguem ser ainda mais refinados e detalhados, com contrastes ainda mais complexos de acabamentos entre as superfícies, todas com polimento Sallaz, como explicado no artigo dos Semi Skeleton.

As outras duas opções de mostradores, verde e azul, também são resultado do foco da Orient em novas tecnologias de mostradores. O uso de multicamadas óticas sobre uma base de metal decorada à mão resulta em um efeito que jamais poderia ser reproduzido com uma pintura convencional. Isso porque qualquer tinta líquida esconderia a delicadíssima textura da base, roubando todo o efeito de reflexão e refração de luz. O processo começa na produção artesanal da base metálica do mostrador, no estúdio de mostradores Shinshu. Sim, o mesmo Shinshu Watch Studio de onde saem as obras-primas da Grand Seiko.

A textura da base de latão é esculpida à mão e depois prensada, dando um efeito que lembra um martelado, porém muito mais delicado, estética e fisicamente, ao ponto de que a própria aplicação de pintura por estampa “amassaria” a textura criada. A chapa do mostrador é então banhada para ficar prateada, e aí então recebe as multicamadas óticas, depositadas pelo método PVD. 

Aqui está uma das partes mais fascinantes (como se todo o resto já não fosse): para se obter a cor desejada, as camadas aplicadas não possuem cor, mas sim bloqueiam elas! A física é a mesma usada na tela de uma TV, monitor ou display de celular de OLED: os LEDs emitem as cores em três canais, o que conhecemos como RGB (red-green-blue, ou seja, vermelho, verde e azul). Quando os três canais estão em intensidade máxima, com 100% de luminosidade, o que se vê é a cor branca. Para simular outras cores, a intensidade de um ou dois canais é reduzida relativamente ao terceiro para criar praticamente qualquer combinação de cor possível. Por exemplo, se a cor vermelha for reduzida a 20% e a verde a 60%, mantendo o azul a 100%, o resultado é um azul real (royal) intenso. 

Nessa mesma lógica, o mostrador dos M34, “in-natura”, refletem todos os comprimentos de onda de luz, e assim, sem nenhuma cobertura, pareceria prata, ao refletir todo o espectro luminoso visível. As multicamadas óticas são aplicadas de modo a absorver calculadamente as diferentes frequências de ondas de luz, deixando refletir somente as ondas das cores que se deseja. Ou seja, quando o mostrador recebe uma camada que absorve 80% do vermelho, 40% do verde, e deixa transparecer totalmente o azul, ou em outras palavras, que deixa refletir apenas 20% de vermelho, 60% de verde e 100% de azul, o resultado que temos é exatamente o azul real que vemos no modelo ref. RE-BX0004L.

E como cada camada ótica aplicada por PVD tem a espessura de nanômetros, elas não cobrem a delicada textura original, como uma tinta faria,especialmente em cores mais escuras. O resultado é uma cor intensa mantendo a profundidade da textura original. É pura tecnologia de ponta sendo transformada em arte. O aperfeiçoamento dessa técnica para se obter a espessura correta de cada camada até obter as cores desejadas levou anos de pesquisa. E tal como nos modelos Semi Skeleton, a delicadeza dos mostradores é realçada pela invisibilidade do cristal de safira abaulado com tratamento super-antirreflexivomulticamadas “SAR” exclusivo da Orient.

Comparação entre a cobertura pintada tradicional e o revestimento de multicamadas óticas

Os ponteiros e cifras dos M34 conseguem ser igualmente refinados, a um nível que só se encontra em relógios de preço muito superior. A lapidação diamantada desses componentes confere faces polidas perfeitas e um efeito de “arco-íris” na luz refletida das faces escovadas. O resultado são cifras com um efeito tridimensional que sempre refletirá luz, não importa qual ângulo se olhe, de modo que elas nunca se “apagam”. E os M34 ainda contam com mais um detalhe estético belíssimo e raro: ponteiro de segundos com centro tampado, onde não se vê a parte superior da bucha que o fixa no eixo de segundos do mecanismo. Esse é um detalhe pequeno, mas que demonstra o nível de capricho aplicado à finalização desses modelos.

Mas isso não é tudo. Dotados de data às 3 horas e indicador de reserva de marcha às 12 horas, os M34 são equipados com os calibres F8, que são o pináculo técnico na manufatura da Orient. Isso é resultado da união definitiva com EPSON em 2017, tornando possível elevar a histórica base dos calibres 46 ao patamar de tecnologia usado pelas grandes manufaturas suíças. A aplicação da tecnologia da divisão de semicondutores da EPSON, que já permite a fabricação de componentes de metal pelo processo MEMS com tolerância de 0,01 mm (um centésimo de milímetro), é capaz de atingir tolerância de 0,001 mm (um milésimo de milímetro) para componentes em silício. A união dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento levou à produção de uma roda de escape e âncora em silício especialmente para os calibres Orient 46, resultando nos F8, a última e mais avançada geração de calibres da marca.

MEMS é a sigla para Micro-Electro-Mechanical Systems, que consiste em um tipo de eletroformação litográfica. Além de permitir a fabricação com tolerâncias incríveis, o processo permite que a estrutura das peças seja vazada ou esqueletizada sem comprometimento da precisão e resistência mecânica, reduzindo sua massa e, portanto, seu momento de inércia, minimizando as perdas nas transferências de energia. Somado à própria leveza do silício, o resultado são âncora e roda de escape com apenas 1/3 do peso de suas equivalentes de metal e rubis, aumentando a eficiência energética do sistema. 

Imagens retiradas da patente JP6891646B2

E os ganhos não param por aí: o processo preciso de fabricação permite uma geometria de escapamento muito aprimorada, reduzindo o engajamento em 80% (algo semelhante, em conceito, ao que faz o escapamento Co-axial da Omega), reduzindo o ângulo de levantamento (ângulo de contato entre balanço e escapamento) e, logo, reduzindo as perdas por interferência entre os componentes, resultando em um ganho de 20 horas de reserva de marcha se comparado com os calibres F7 e F6 (algumas versões), ou ainda 30 horas a mais que a base original, totalizando 70 horas de reserva de marcha. Além disso, o uso do silício contribui para a redução de atrito e desgaste em um ponto-chave do mecanismo, além de aumentar a resistência a campos magnéticos, já que substitui componentes que originalmente são feitos de metal suscetível a campos magnéticos.

Os Orient Star Contemporary M34 F8 Date são equipados com calibre automático F8N64 de 22 rubis, com função hack e corda auxiliar pela coroa, data e indicador de reserva de marcha, operando a 21.600 a/h e oferecendo 70 horas de reserva de marcha.

Os modelos possuem 40 mm de diâmetro, 12,9 mm de espessura, 47,3 mm de alça a alça (lug-to-lug), 20 mm entre alças (largura do terminal da pulseira), cristal de safira abaulado com tratamento super-antirreflexivo “SAR” em ambas as faces, tampa de fundo com cristal de safira, e são resistentes a 10 atm.

E você, confrade? Já conhecia a Orient Star? Qual dos três novos modelos conquistou seu pulso? Conte para nós nos comentários e acione o time Impala para garantir o seu!

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Grande abraço e até a próxima!