Por Henrique Bolini
Caros leitores, quando foi que os “dress watches” voltaram a ser tão populares? Não faz muito tempo quem usava relógios menores, mais finos, mais elegantes, menos complicados e repletos de tons dourados era motivo de chacota.
O que mudou? É uma incógnita! Mas eu tenho as minhas teorias malucas: um movimento puxado por pessoas que (re)descobriram o Cartier Tank, o JLC Reverso e se tocaram que existe vida na Patek Philippe fora o Nautilus e na Audemars Piguet fora o Royal Oak fez com que os relógios mais sociais voltassem à moda.




Movimentos aqui e ali à parte, a Seiko desde 2010 mantém a família hoje conhecida como Presage (que só foi batizada assim em seu debut global, em 2016) em linha. E qual é a essência da família Presage? Combinar a estética japonesa com a maestria do artesanato e habilidades relojoeiras da Seiko. Não acredita? Olhe para um Presage e me diga se não impressiona…

Passados 14 anos que o Cocktail Time SARB065 foi lançado somente para o mercado japonês, a linha Presage ganhou uma nova vertente: o Classic Series, que trouxe uma aura ainda mais limpa e sóbria, flertando com as diretrizes de um bom dress watch. Mas ele é um dress watch? Não na opinião desse que vos escreve… me permitam elaborar tendo como pedra fundamental da minha tese o SPB529, tema da matéria de hoje.

Queria começar dizendo duas coisas: esse não é o primeiro Presage com o qual tenho um contato mais intimista e mais uma vez a Impala gentilmente me cedeu o modelo por uns dias para que pudesse escrever melhor sobre ele.
Como todo bom Seiko, existem vários “sabores” de Presage, que agradarão os mais variados públicos consumidores e, pela apresentação, já dá para ter uma ideia que o SPB529 ocupa mais o topo da cadeia do que a base (não desmerecendo os excelentes Presage que a ocupam, aliás). A caixa é feita em um cardboard bem reforçado e com acabamento interno em camurça de excelente qualidade, o relógio é apresentado sem que quaisquer partes não fiquem à mostra — está tudo ali para ser admirado de cara: o mostrador hipnótico em tom champanhe levemente esfumaçado e ranhuras que saem do centro em direção à periferia, os ponteiros e índices com polimento perfeito, o discreto e de muito bom gosto detalhe canelado no bezel e a pulseira aqui em couro feita em parceria com a Regal, fabricante tradicional de sapatos em couro no Japão.

Tirado o relógio da caixa e levado ao pulso já dá pra começar a entender porque não se trata de um dress watch: são 40,2mm de diâmetro, 46mm na distância entre os pinos (“lug-to-lug”) e inacreditáveis 13mm de espessura. Não são medidas de um relógio com vocação social. Além do tamanho, é um relógio de mostrador com efeito sunburst, que escurece mais próximo à extremidade e ainda tem um padrão de ranhuras e isso dá vida e chama atenção, características que não casam muito com o relógio social comum e padrão. Além de tudo isso, ele ainda tem a muito útil complicação de data, mas que nesse relógio “quebra” a harmonia e atenção a detalhes do mostrador — queria muito ver uma versão desse relógio equipado com o 6R51… ficaria bem mais interessante. Bem, e se ele não é um dress watch, o que é? Um lindíssimo relógio casual, que, diferente do extremamente social, pode ser usado em muitos ambientes mais sem parecer um peixe fora d’água. Não acredita em mim? Invista em uma pulseira de camurça com cores fortes e contrastantes com o mostrador e depois me fale!

Um outro ponto que me chamou bastante atenção nesse relógio é o detalhe canelado do bisel. Ele é discreto e se não estivesse ali pouparia um custo de produção, mas esse não é um relógio feito pensando nisso, ele é feito pensando nos detalhes! Ficou muito bonito e de excelente gosto! O tom aplicado é levemente puxado para o cobre, mas tão suave que leva um tempo para perceber e possui ranhuras que lembram a extremidade de uma moeda, tal qual se costumava fazer na relojoaria durante os anos 50. Para contrastar com esse detalhe, a coroa é assinada, dando um ar mais “premium” ao modelo — detalhe besta, mas que faz a diferença.

A pulseira é extremamente confortável, com costura e grãos que só podem ser obtidos por gente com muita experiência em selecionar, tratar e confeccionar peças em couro — um ponto alto desse modelo, sem sombra de dúvidas. Ela conta ainda com pinos de engate rápido, que permitem uma troca rápida e efetiva de pulseiras, sem correr o risco do pino escapar e arranhar seu relógio.


O mecanismo é o bom 6R55, com suas 24 joias, 21.600 oscilações por hora, 4.800 A/m de resistência a campos magnéticos, 72h de reserva de marcha e já característico rotor com coloração dourada. Não esperem qualidade no acabamento aqui, uma vez que a prioridade desse mecanismo é ser um “trator” e não campeão nos concursos de fotos e vídeos com lentes macro. O modelo conta com uma resistência a água de 10 ATM (que não recomendo testar com a pulseira de couro), cristal em safira no estilo domo e um muito útil tratamento antirreflexo em sua face interna — ou seja, a legibilidade é maior do que aparenta.

Pênaltis do modelo? Alguns. As suas medidas no geral, mais especificamente diâmetro de caixa e espessura. O que gera certa revolta é que a adoção de uma tampa traseira sólida já resolveria grande parte do empecilho aqui, mas a Seiko insiste em exibir o 6R55 meio que torcendo para que as pessoas se queixem do acabamento do mecanismo. A janela de data nesse tipo de modelo é totalmente dispensável (ou poderia ser reduzida para uma posição de menor destaque para não tirar atenção e fluidez do lindíssimo mostrador).
Dito isso, o SPB529 é uma ótima escolha se você procura um relógio casual diferenciado, cujo nível de acabamento e atenção a detalhes sobe alguns degraus.

O modelo está disponível na Relojoaria Impala, claro. Acione a equipe nos canais de atendimento e WhatsApp para garantir sua peça:

Espero que tenham gostado da leitura e nos encontramos em um próximo artigo. Forte abraço!

