Por Henrique Bollini
Em 2026, a companhia fundada por Kintaro Hattori completa 145 anos e, para comemorar esse marco, a Seiko introduziu (até o momento em que essa matéria foi publicada) 3 linhas distintas: a primeira composta por 4 relógios e tendo detalhes em dourado como seu palco principal, exaltando sucesso e prosperidade. A segunda composta por 6 relógios e tendo a cor azul “Seiko Blue” como seu palco central, fazendo um aceno aos anos 60 e a essa cor que faz parte da identidade da marca. A terceira composta por 4 relógios e tendo a cor roxa “Edo Purple” como seu palco central, evocando a tradição da cidade de Edo (que hoje conhecemos por Tóquio).



Nos anos 70, a Seiko vivia seu auge. Depois de inúmeros feitos, como destaques nas competições de observatório e o lançamento do Astron, as linhas King Seiko e Grand Seiko eram o topo da cadeia dos produtos que saíam das fábricas da Daini e da Suwa. Uma das ideias era mostrar que um relógio “topo de linha” poderia também ter uma personalidade forte, descontraída e disruptiva… nascia assim a linha Vanac, em 1972, com suas cores fortes, designs ousados e dotados de muita complexidade de execução (reparem nos vidros facetados, por exemplo) – isso tudo sem perder a excelência de execução e qualidade que o emblema KS chancelava.

Se juntarmos os dois parágrafos introdutórios, vocês já devem imaginar qual será o assunto do artigo de hoje, certo? Falaremos de King Seiko Vanac 145th Anniversary. Segundo a Seiko, em seu website oficial:
“Um novo VANAC em edição limitada surge com detalhes em azul inspirados no “Seiko Blue”. O mostrador branco-prateado ganha destaque com um vibrante anel de índice azul que remete ao design arrojado do bisel do VANAC original dos anos 1970. O LumiBrite aplicado aos índices e ponteiros assegura excelente legibilidade.

Inspirada pelo horizonte infinito de Tóquio, a caixa de aço inoxidável sem bisel apresenta linhas angulares marcantes e uma forma elegante, complementadas por acabamento refinado e um distintivo motivo em “V” no mostrador e no ponteiro dos segundos, expressando a identidade VANAC.”



O novo Vanac, tal qual vemos aqui hoje, foi lançado em 2025 em um mercado extremamente diferente do que o recepcionava em 1972. Explico: A linha King Seiko estava adormecida desde a histórica coleção de 2000 e havia feito um debut muito tímido com peças que queriam invocar os bons predicados históricos falhando em uma porção muito importante e relevante do seu objetivo – leia-se “eram peças de design formidável, porém cujo coração e detalhes não conseguiam competir com sua irmã famosa Grand Seiko”. Dito isso, minha primeira impressão ao deparar-me com o novo Vanac em um artigo de internet foi instantaneamente torcer o nariz… impressão essa que não perdurou ao ver o modelo em mãos durante o evento de lançamento da linha aqui no Brasil, com a presença de um executivo de alta patente na Seiko América Latina vestindo seu KS dos anos 70.

Minha impressão olhando essa edição limitada, numerada e comemorativa do Vanac se mantém: finalmente vi uma Seiko empenhada em fazer o nome King Seiko voltar a ter o mesmo peso que o nome Grand Seiko. Tal qual sua irmã mais famosa, a surpresa mora nos detalhes! São 41mm de diâmetro, 45.1mm na distância entre os pinos, 14.3mm de espessura… mas deixe as medidas de lado, olhe o relógio com uma lente de aumento e repare na qualidade de execução, mas repare em tudo mesmo! Índice das 12h e sua complexa execução, o aro metálico com 12 facetas que abriga o anel principal com os índices e seu espelhado perfeito, os demais índices impressos e a presença de material luminoso inserido em proporções milimetricamente perfeitas, o contraste entre superfícies retas perfeitamente polidas e perfeitamente escovadas na vertical, a qualidade das impressões de texto no mostrador… enfim, para onde você olhar vê qualidade de execução nos mínimos detalhes, ou seja, 50% do vão que a linha KS atual tinha para a linha GS atual fora preenchido.





E os outros 50%? Vamos olhar o coração desse relógio com um pouco mais de atenção. São 28.800 vibrações por hora, 35 joias, hacking e possibilidade de corda pela coroa. Em um primeiro momento você lê 8L35 e fica indiferente, mas se olhar com atenção verá que na verdade os dizeres são 8L45. Puristas dirão que, apesar do 8L ter uma arquitetura muito similar aos 9S da Grand Seiko, esse pecava muito por não ter um acabamento à altura de ser exibido e por não ser tão bem regulado quanto seus irmãos premium. Oras, o 8L45 existe exatamente para preencher essas pequenas lacunas técnicas e visuais que o 8L35 não cobria. De quebra, ainda tem 72h de reserva de marcha sem expressivas modificações (leia-se gambiarras) ante as 50h do 8L35 ou de um 9S55. E vale lembrar que o Vanac é o único King Seiko (até o momento em que essa matéria foi publicada) a contar com o 8L45 pulsando no interior de sua caixa.

Significa então que o novo Vanac é perfeito? Não na minha opinião. Eu continuo não sendo um fã do tamanho e do visual no geral, mas vamos combinar que a personalidade forte, descontraída e disruptiva dos históricos Vanac está presente, porém traduzida para a linguagem dos anos 2020. Na minha opinião, seria bem legal ver uma safira facetada no lugar desse contrapeso em formato de “V” do ponteiro de segundos, mas tenho certeza que isso não é um consenso entre o mercado consumidor ao qual a Seiko quer apresentar o novo Vanac, por isso entendo algumas escolhas aqui nessa nova linha.



A síntese? Estamos finalmente presenciando o que a linha King Seiko pode entregar na sua prateleira mais alta e, obviamente, isso vem com um ticket mais alto e um mercado consumidor mais exigente. Minha ressalva? Não façam como eu e julguem o livro pela capa. Vão até a Impala conhecer o Vanac em mãos, munidos de suas lentes de aumento, e se surpreendam!

Por ser uma edição limitada vale a afirmação do confrade Renan: “Não tenha pressa mas não perca tempo”, então, já sabe o que fazer: acione a equipe para garantir essa peça exclusivíssima!

Abraço e até a próxima!

