Por Renan Távore
Poucos estilos de relógio despertam tanto respeito — e tanta identificação — quanto os modelos estilo diver. Criados para enfrentar ambientes extremos, eles rapidamente extrapolaram o universo técnico e passaram a ocupar um lugar definitivo no cotidiano, no estilo e na cultura relojoeira. Para muitos entusiastas, o diver é um símbolo de robustez, confiabilidade e personalidade.
É nesse cenário que o Orient Submariner construiu sua reputação ao longo das décadas. Um relógio que, sem recorrer a excessos, conquistou espaço por mérito próprio. Para mim, o grande trunfo do Submariner sempre foi esse equilíbrio raro entre tradição, funcionalidade e identidade visual — algo que a Orient soube preservar mesmo ao longo de suas atualizações mais recentes.

Ao revisitar o passado desse modelo e observar suas releituras atuais, fica claro que estamos falando de uma linha que amadureceu junto com o próprio mercado. Um clássico que se renova, sem jamais perder a essência que o tornou reconhecido entre colecionadores e apaixonados por relógios.
O batismo dos entusiastas
Quando falamos de relógios de mergulho, é impossível não lembrar do impacto cultural que modelos como o Rolex Submariner tiveram desde os anos 1950 — nome que já evocava submersão e desempenho sob pressão, ao mesmo tempo em que se tornava um ícone fora do meio profissional aquático.

Na verdade, o nome “Submariner” foi criado originalmente pela Rolex para refletir exatamente essa capacidade de enfrentar profundidades com confiança, fazendo alusão direta à palavra submarine — ou submarino —, um dos veículos mais emblemáticos da exploração subaquática moderna.
O que talvez muitos não saibam é que a Orient, lendária marca japonesa que existe desde 1950, com tradição no desenvolvimento de movimentos mecânicos próprios e forte identidade no relógio automático, também teve sua própria interpretação desse conceito de “relógio de mergulho clássico”. Já nos anos em que a Orient consolidava seus mecanismos mecânicos e reputação no mundo dos divers, colecionadores e entusiastas começaram a identificar alguns modelos de mergulho da marca com um apelido bem específico: o “Orient Submariner”. Esse nome não veio oficialmente da própria Orient, mas surgiu popularmente entre fãs e colecionadores por causa da clara inspiração estética que esses modelos tinham nas linhas consagradas dos divers clássicos — especialmente o famoso Submariner da Rolex — com mostrador de estilo esportivo, luneta rotativa e presença marcante no pulso.

A Orient lançou originalmente quatro versões, com mostradores pretos e azuis, bem como versões de dois tons – tudo no espírito dos próprios modelos da Rolex. Alguns desses relógios chegavam a ser chamados internamente por termos como “Snorkeler”, “OriLex” ou simplesmente Sub, justamente por serem referências visuais aos relógios que marcaram a história dos divers profissionais. Legal, né?

No final da primeira produção, a Orient lançou um segundo lote desses relógios. Desta vez, eles receberam cristal de safira, que os mergulhadores básicos Mako não tinham na época. A versão atualizada recebeu novas referências, com algumas alterações no mostrador para facilitar a diferença.

As mudanças no mostrador incluíram o símbolo de cristal de safira, removendo a contagem de joias desatualizada em favor do logotipo Orient e substituindo “10 bar” por “100m”. Além disso, todas as versões eram tecnicamente idênticas, tendo a mesma caixa e calibre 48743 automático, sem hacking e sem movimento de enrolamento manual. E o mais importante: tanto os cristais minerais quanto os de safira apresentaram o ciclope ao longo da data.
O mais legal e talvez não tão conhecido, é que a Orient também lançou um modelo “lady-sub” com uma caixa de 33 mm. Tendo versões de mostrador preto, azul e marrom, este modelo era adequadamente fofo e automático também, usando o calibre menor 5574D da Orient. Isso faria um sucesso danado nos dias atuais a julgar a quantidade de mulheres entusiastas somando ao mundo da horologia.

Da tradição à releitura: a atualização do Orient Submariner
Com o passar dos anos e a evolução do mercado relojoeiro, a Orient entendeu que havia ali um patrimônio a ser preservado — e atualizado. Surge então a fase que conhecemos hoje como a releitura moderna do Orient Submariner, mantendo os pilares clássicos, mas ajustando proporções, acabamentos e cores ao gosto contemporâneo.

Essa atualização não foi abrupta. Pelo contrário: ela respeitou o DNA do modelo. A caixa continuou robusta, a luneta seguiu como protagonista visual e a proposta de um diver versátil, capaz de transitar entre o uso esportivo e o cotidiano urbano permaneceu intacta. O que mudou foi a forma de apresentar isso: novos mostradores, combinações cromáticas mais ousadas e uma atenção maior aos detalhes estéticos.



Inclusive, como já abordamos em outra matéria do blog da Impala, essas novas cores e variações não representam uma ruptura, mas sim uma evolução natural. Para mim, isso mostra maturidade de marca. Atualizar sem descaracterizar é um dos maiores desafios no universo dos relógios — e o Submariner da Orient consegue fazer isso com bastante dignidade.
• Movimento: Automático (Calibre NH36 – atualizado recentemente – quando lançados a atualização usava o calibre F49 da Orient), com corda manual, hacking e reserva de marcha ~41 h.
• Funções: Hora, minutos, segundos, calendário duplo (dia da semana + data).
• Caixa: 42 mm de diâmetro, espessura de 13.5 mm e lug to lug de 51.1 mm, em aço inoxidável.
• Vidro: Cristal mineral.
• Bezel: Unidirecional.
• Pulseira: Aço inoxidável com fecho de segurança.
• Resistência à água: 100 m / 10 ATM.
• Luminosidade: Índices e ponteiros luminescentes.
Inicialmente com 3 cores, as famosas HULK (F49SS027NH) , PEPSI (F49SS027NH,) , COKE (469SS068NH).



As novas cores de 2025 e a consolidação da releitura
(NH3SS009, NH3SS010 e NH3SS011)
No início de 2025, a Orient amplia a releitura moderna do Submariner com a chegada de três novas variações de mostrador: NH3SS009, NH3SS010 e NH3SS011.

Do ponto de vista técnico e construtivo, esses novos Submariner seguem a mesma base já consagrada nos modelos anteriores como F49SS027NH, F49SS026NH e 469SS068NH. Ou seja, a proposta permanece clara: um diver automático, robusto, confiável e com especificações coerentes para uso cotidiano e esportivo. Não há ruptura de conceito — e isso é um mérito.
O que muda, então?
A principal diferença entre esses lançamentos de 2025 e os modelos anteriores está na apresentação visual do mostrador. As novas cores trazem um ar mais contemporâneo, dialogando melhor com o gosto atual do público, sem abandonar o DNA clássico do diver tradicional. É uma atualização estética pensada para ampliar o leque de escolhas, não para substituir o que já funcionava.



Mas há um detalhe que merece destaque especial — e que certamente chama a atenção dos entusiastas mais atentos: a inserção das três estrelas no mostrador. Para quem acompanha a história da Orient, esse detalhe não é apenas decorativo. As estrelas sempre foram um selo visual associado à qualidade, durabilidade (ou resistência) e acessibilidade, especialmente em modelos que marcaram época.
Na minha leitura, essa escolha é tudo menos aleatória. Ao trazer de volta as três estrelas, a Orient cria uma ponte direta com seu passado, dialogando com colecionadores mais antigos ao mesmo tempo em que apresenta esse símbolo a uma nova geração de consumidores. É quase como se a marca dissesse, de forma silenciosa: “este relógio carrega história”.



Esse pequeno detalhe ajuda a diferenciar visualmente os modelos NH3SS009, NH3SS010 e NH3SS011 das referências anteriores e adiciona uma camada extra de identidade ao mostrador — algo que, convenhamos confrades, faz muita diferença em um segmento tão concorrido como o dos divers.
De confrade para confrade
O Orient Submariner, ao longo do tempo, deixou de ser apenas um “diver acessível” para se tornar algo mais interessante: um relógio com identidade própria dentro de um segmento extremamente disputado. Em um mercado onde muitos modelos tentam chamar atenção pelo exagero — seja em dimensões, cores ou promessas técnicas — o Submariner segue um caminho mais sóbrio, quase consciente demais para quem realmente entende de relógios. E para mim, o grande mérito do Submariner hoje está justamente nessa coerência. Ele não tenta disputar território com peças de luxo, nem se esconde atrás de rótulos aspiracionais. É um relógio que entrega o que promete: robustez, confiabilidade mecânica e um design que atravessa o tempo sem parecer datado. E isso, convenhamos, é cada vez mais raro.
No fim das contas, o Orient Submariner ocupa um espaço muito claro: o de um clássico contemporâneo. Um relógio que respeita suas origens, dialoga com sua comunidade e segue relevante sem precisar levantar a voz. E, honestamente, essa é uma qualidade que poucos conseguem sustentar por tanto tempo.

Os modelos atualizados estão disponíveis na Relojoaria Impala, claro. Acione a equipe nos canais de atendimento e WhatsApp para garantir sua peça:

Se você gosta de entender como tradição e atualização convivem no universo relojoeiro, fique atento às próximas publicações aqui no blog da Relojoaria Impala. Em breve, vamos explorar outro modelo que carrega história, identidade e releituras interessantes — mostrando como o passado continua moldando os lançamentos que chegam ao nosso punho hoje.
Até a próxima leitura, meu confrade!

